Coping Proativo e Engagement

PATRÍCIA VIDEIRA
Escola de Comércio de Lisboa | Docente

As relações unilaterais estarão sempre condenadas ao insucesso, quer se tratem de relações de caráter pessoal ou de relações de caráter organizacional e institucional.

Atualmente será o engagement uma “old fashion word”? (Porfírio, A., 2019) (1)

Independentemente da semântica, o que é certo é que, em sociedades cada vez mais inovadoras e digitais, trabalhadores pouco vinculados não darão resposta às necessidades de crescimento e de sucesso das organizações em que estão inseridos. Por outro lado, e numa lógica de reciprocidade, não poderão continuar a existir empresas cujo principal foco não seja o engagement dos seus colaboradores, uma vez que este é diretamente responsável por maiores níveis de produtividade, satisfação do cliente, menor rotatividade de pessoal e consequentemente maiores resultados financeiros.

Mas de que modo se trabalha este engagement? A Cultura Organizacional deve refletir, de forma clara e inequívoca, o lugar que as pessoas têm na organização, qual o seu papel e de que modo as suas expectativas encontram eco nas políticas da empresa. Tudo se trata de um jogo de expectativas, no qual as regras têm de estar bem definidas, de forma a existir uma relação entre o contributo e a satisfação no trabalho, ou seja, a relação entre o que damos e o que recebemos, numa correlação perfeita e harmoniosa.

Do lado dos indivíduos, importa não esquecer esta reciprocidade, conhecendo os valores da cultura da organização, interiorizando os mesmos e agindo como se um devir se tratasse. Dialeticamente falando, nem empresas se podem esquecer que o engagement dos seus colaboradores é fundamental para o seu sucesso, nem os indivíduos podem deixar de utilizar estratégias de coping proativo, de forma a superar dificuldades de caráter pessoal e profissional, contribuindo para o crescimento das organizações em que estão inseridos.

Sem esta política de mútuo comprometimento nunca será possível terminar a história com: “E foram felizes para sempre”.

(1) Porfírio, A., (2019), “O valor do Engagement” in Revista Human Resources Portugal, janeiro