Montra. O vendedor Silencioso

Cristina Costa
Home Tailors Real Estate | Consultora

Durante os anos 80 as decisões de compra baseavam-se essencialmente nos determinantes económicos. Com o virar dos anos 90 a comunicação e as decisões de compra alteraram-se completamente e a Imagem tornou-se a principal protagonista nas decisões de compra. Hoje em dia procuram-se novos valores, novas formas de comunicar que despertem outras necessidades, outras vontades, dirigindo o cliente/consumidor na sua escolha segundo os momentos socio-culturais do país, os quais estão interligados com as tendências artísticas tradicionais e vanguardistas. Surge então o Agir, a nova atitude do comércio.

Cada vez mais o sucesso do comércio passa pela forma como este comunica com o cliente a fim de despertar os seus sentidos, desejos e motivações. Esta necessidade de compreender o cliente levou o comércio a reorganizar a oferta e a forma como este comunica.

A Montra foi o espaço escolhido para transmitir a Imagem e a personalidade de um espaço comercial. Atrair, mostrar, seduzir vender. Vender produtos e vender Imagem é o que se espera deste espaço intermédio entre o exterior e o interior da loja, com os seus símbolos e imagens que dão vida à cidade e tornam mais claras as mensagens, atraindo, estimulando a compra do cliente.

A Montra – concebida, meramente, como um espaço onde se amontoam, sem mais nem menos, os produtos ou desligada do contexto da loja – não corresponde aos objectivos que dela se esperam. Através da Montra pretende-se despertar o desejo de compra na pessoa que a contempla. É ela que transmite a personalidade da loja, é ela que dá “a cara“ em primeiro lugar, é ela o vendedor silencioso.

Dispor os produtos numa Montra, de uma forma especial, é uma técnica e uma arte a que se dá o nome de Vitrinismo. O Vitrinismo pretende utilizar recursos visuais destinados a apresentar, de uma forma atractiva e desejável, um produto com o qual o cliente se identifica. A sua composição plástica é guiada pelo equilíbrio, entre o estático e o dinâmico, que o comércio quer transmitir. Pode dizer-se que esta é uma das técnicas promocionais utilizadas para fazer vender o produto e a Imagem do comércio. Mas a função do Vitrinismo não se limita só a mostrar, seduzir e atrair. O comércio integra-se num campo mais vasto da estrutura urbana consagrado pelo urbanismo comercial. É um elemento que funciona como causa e efeito em termos da vida de um aglomerado populacional. Tem que assumir a sua responsabilidade social, pois contribui para o embelezamento da cidade através do sentido de modernidade e adequação cultural e estética. Estes elementos convertem, deste modo, o “ir às compras” num prazer, ou divertimento, que vai além da simples busca de um produto.

A originalidade e a surpresa do Vitrinismo é transformar uma Montra num Quadro ou numa Encenação, a qual ao ser contemplada sugira relações imaginárias que despertem sentidos, motivações, emoções, desejos, compra; numa expressão: vender a imagem e a personalidade de uma loja.