Portugal pioneiro Mundial no ensino do comércio

Pedro Pulido Valente
Horto do Campo Grande | Administrador

O encerramento das escolas dos Jesuítas e a necessidade de responder à falta de iniciativa e de conhecimentos dos comerciantes portugueses levou a que o Marquês de Pombal em 1759, tornasse obrigatório a frequência da “Aula do Comércio” para o exercício desta tão importante actividade.

Comparando com o resto da Europa, em que a organização do ensino comercial apenas apareceu na segunda metade do século XIX, podemos perceber a sua visão e pioneirismo na criação da escola pública de comércio que, para além de ser a primeira que surgiu entre nós, foi tanto quanto se sabe, o primeiro estabelecimento de ensino técnico profissional oficialmente criado no mundo.

Com a diminuição do comércio português agravado em 1823 com a secessão do Brasil, levou a que a Aula do Comércio fosse extinta e anexada ao Liceu de Lisboa e que as matérias aí leccionadas fossem integradas nos cursos como Secção Comercial.

Mais recentemente, nas décadas de 50 e 60 do séc. XX, devido ao aumento da população em Portugal e às necessidades de comércio com as colónias, o modelo das Escolas Comerciais e Industriais foi retomado num novo ciclo que se desenvolveu até à revolução de 1974, altura em que as reformas introduzidas no sector da educação, levaram ao encerramento das escolas industriais e comerciais existentes, criando uma lacuna grave neste tipo de ensino técnico.

Só 15 anos depois surge a Escola do Comércio de Lisboa, fruto das evidentes necessidades de preparar quadros para diferentes actividades do sector terciário, sector que como todos sabem assume particular importância e relevo na economia do país.

Nestes 30 anos de existência, como empresário e dirigente associativo, tenho acompanhado de perto a actividade da Escola do Comércio de Lisboa e posso testemunhar o rigor e profissionalismo do seu ensino, dos seus professores e dos seus alunos.

Sem dúvida que para muitos dos que a frequentaram e agora se vêm como empresários ou técnicos qualificados, esta aprendizagem foi uma ferramenta de excelência para resolver muitos dos desafios que hoje se colocam ao comércio.