Impactos da Digitalização no Retalho

António Jorge
Escola de Comércio de Lisboa | Assessor de Direção para a Formação e Consultoria

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Hoje vivemos a era da Revolução 4.0 e praticamente todas as tendências de evolução futura dos negócios têm a sua origem nas tecnologias que a provocaram: os sistemas de informação e as telecomunicações. Estas tecnologias alteraram significativamente a velocidade de mudança, e aumentaram a complexidade de todas as dimensões da Sociedade.

A relevância desta realidade prende-se com o facto de a mesma configurar um paradigma (conjunto de premissas base que determinam o desenvolvimento socioeconómico) que se estenderá até 2041. Segundo os economistas que estudam os ciclos longos da economia (Ondas de Kondratiev) este paradigma tem essa “esperança de vida”.

Assim importa compreender os seus impactos, para que possamos continuar a inovar, adaptar e modificar as realidades do retalho em conformidade com as necessidades dos clientes e do seu modo de vida.

Segundo Klaus Schwab, este paradigma a origina a emergência de tecnologias derivadas das anteriores,  sintetizadas na figura 1, que impactarão seguramente o retalho. Por exemplo, as impressoras 3D, permitirão uma personalização de produtos que até aqui não seria possível; assim como a inteligência artificial, irá originar alterações na tomada de decisões, automatizando-as e permitindo muito mais comparações.    

Figura 1 (clique na figura para ampliar)

A análise destes impactos pode ser efetuada através das variáveis do retail mix: sortido de mercadoria, publicidade e promoção, layout e design de loja, atendimento e serviço ao consumidor, localização e preço.

Na figura 2, apresenta-se uma síntese dos impactos provocados no retalho. Não se trata de uma listagem exaustiva, mas sim das que considero mais significativas. Estas podem servir de inspiração, para que cada um, gere ideias dos impactos mais ajustados ao seu negócio.

Figura 2 (clique na figura para ampliar)

 

Estas consequências devem ser encaradas como oportunidades de melhoria e não como ameaças aos atuais modelos de negócio.

Esta forma de encarar a mudança e evolução dos negócios tem essencialmente que ver com a atitude com que se aborda o tema, isto é, devemos observar as alterações como desafios para o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos negócios. Se tivermos uma atitude conservadora de quem deseja que nada mude, então vamos observar a mudança como uma ameaça, um incómodo que contraria o nosso desejo.

Em conclusão a maior transformação que a digitalização provoca no retalho é, mais propriamente, no retalhista que terá de encarar o negócio como uma atividade altamente dinâmica e de mudança, que vai implicar uma concentração e lucidez permanente no entendimento da sociedade em geral e dos mercados e consumidores em particular.